“Liberdade. O canto retumbante de um povo heroico” foi o enredo que a Acadêmicos do Tucuruvi levou para a Avenida em 2019, quando ficou na 13ª colocação no Grupo Especial paulistano, resultado que rebaixou a escola da Cantareira para o Grupo de Acesso 1.

Para dar a volta por cima, a escola liderada Seo Jamil apresentará em 2020 o tema: “Faces de Chico, o eterno Chico. Sorrir é… e sempre será o melhor remédio”, uma homenagem ao ator e comediante Chico Anysio.

Ao falarmos sobre a comédia brasileira, é impossível não lembrar de Chico Anysio. Nascido em 12 de abril de 1931, na cidade de Maranguape, no Ceará, o humorista era conhecido por sua versatilidade.

Em mais de 60 anos de carreira, Chico, que morreu em março de 2012, interpretou mais de 200 personagens, em que satirizava tipos políticos e pessoas comuns do povo brasileiro, como o babalaô Painho, o galã Alberto Roberto, o deputado federal Justo Veríssimo e a professora Salomé. Sucesso em várias atuações na televisão, também foi escritor, pintor e compositor. Casou-se seis vezes e teve oito filhos, sendo um adotivo.

Em entrevista ao SRzd, o carnavalesco Dione Leite – que estreou na Cantareira no último Carnaval – fez uma avaliação sobre o resultado do desfile 2019 e explicou como será apresentando o enredo do próximo ano.

Dione Leite. Foto: SRzd – Claudio L. Costa

Durante a conversa, ele também falou de sua relação com o presidente Jamil e sobre o desafio de disputar o Grupo de Acesso 1 ao lado de agremiações tradicionais do samba paulistano. Confira:

SRzd: Apesar do resultado não satisfatório, como você avalia seu trabalho na escola?

Dione Leite: Realmente é muito complicado ver uma comunidade chorar pelo descenso, porém resinificando essa história, fica a certeza de que somos mais fortes que o imaginado. A comunidade que vem se redescobrimento a cada dia, sendo mais participativa e unida. As vezes os percalços da vida são necessários para a manutenção do futuro. Costumamos dizer que a Tucuruvi é uma escola especial por tudo que atravessou e conquistou em sua história. Não falamos de títulos, mas de integridade e capacidade de lutar sempre que necessário. Tenho a certeza de que ela retornará ao seu lugar de direito através de muito trabalho e esforço.

SRzd: Chico Anysio. De que forma surgiu a ideia do enredo para 2020?

Dione Leite: Engraçado. Foram três opções de enredo votadas pela diretoria executiva. A escolha foi unânime, não deveria ser levado em conta o gosto pessoal, mas sim o que era melhor para a comunidade evoluir na Avenida, com leveza e descontração. Acho que acertamos em cheio, pois tem sido positivo demais o processo que estamos trilhando.

SRzd: Você pode detalhar como esta homenagem será apresentada na Avenida? 

Dione Leite: Falar do mestre do humor é uma tarefa bem desafiante, pois já tínhamos referência de dois desfiles cariocas. Buscamos então uma outra forma de falar da pluralidade que se tornou Chico. Um bufão da “Commedia Dellarte” encontra-se com Chico na plateia de um suntuoso teatro, onde as cortinas se abrem para narrar um pouco das paixões, da forma como denunciou e escrachou o que estava errado, do seu legado que inspira até hoje todos nós, encerrando está história com a realização de um dos seus inúmeros sonhos que levaremos para Avenida no domingo de Carnaval. Prometemos que será muito alegre este desfile. Todo mundo vai poder se divertir e relembrar este imortal do humor brasileiro.

SRzd: Como é trabalhar com o presidente Jamil?

Dione Leite: Sou suspeito para falar, pois Seo Jamil é um homem que realmente tem história e fez a história do Carnaval de São Paulo. Sempre muito atencioso e querido comigo. Costumo falar que vejo nele a presença paterna explícita, pois é desta forma que maioria o vê na escola. Eu só tenho a agradecer por mais uma vez receber este voto de confiança dado por ele e o Rodrigo Delduque – diretor de Carnaval da escola -, e claro a esta comunidade maravilhosa que sempre me acolhe tão bem. Somos realmente um time.

SRzd: Fale um pouco sobre sua rotina de trabalho atual como carnavalesco da escola.

Dione Leite: A gente faz tanto que as vezes esquece da real função, no bom sentido. Para alguns, ser carnavalesco é apenas delegar ou criar. Eu prefiro agregar a isso minha paixão por fantasias, pela decoração e detalhe de cada carro. O que me diverte é ir para o ateliê ou barracão e colocar a mão na massa, tem coisa melhor? Por conta do desafio, eu trabalho muito meu lado emocional e vivo em busca de aprimoramento através da PNL (programação neurolinguística). Digo que os resultados sempre são ótimos. Ajuda muito a exercer a minha função sem os conflitos internos.

SRzd: Fantasias, alegorias e preparativos. Como estão os trabalhos?

Dione Leite: O trabalho está em ritmo acelerado já com pilotos 95% finalizados, reprodução de alas em andamento. Isso nos dá oxigênio para recalcular todas as rotas mais a frente. No barracão de alegorias, o trabalho já está acelerado também, pois já estamos na fase de madeira e começo da decoração. Tudo indica que teremos um Carnaval tranquilo e muito bem pensado.

SRzd: Do ponto de vista plástico e visual, o que podemos esperar do desfile?

Dione Leite: Podem esperar muita descontração, cores abundantes e com alegria estampada em cada componente. A leitura já é uma marca dos meus trabalhos e isso estamos valorizando mais ainda. Uma escola que irá desfilar como sempre foi, respeitando as coirmãs, mas grandiosa e com muito luxo nas fantasias e carros.

SRzd: Deixe uma mensagem para a comunidade da Tucuruvi e público que vive a expectativa do próximo Carnaval.

Dione Leite: Podem esperar um Tucuruvi forte, sem medo de errar, pronto para lutar por cada décimo para voltar ao Grupo Especial. Será um desfile lindo e emocionante. Espero realmente que todos se divirtam muito com o eterno Chico que levaremos para a Avenida, pois “SORRIR É… E SEMPRE SERA O MELHOR REMÉDIO”.

Em 2020 a Acadêmicos do Tucuruvi será a sexta escola a desfilar no domingo, dia 23 de fevereiro, no Sambódromo do Anhembi, na disputa do título do Grupo de Acesso 1.

Fonte: SRZD

 

 

 

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